2 de dez de 2011

TEMPOS MODERNOS - MODERN TIMES (1936)


          
Por Marcel Moreno

           Charles Chaplin foi um grande diretor e ator no mundo cinematográfico mundial, e fez vários grandes e ótimos filmes como este, O VAGABUNDO (1913) ou O GRANDE DITADOR (1940) alem de outros. Seus filmes encantaram e encantam muitas pessoas até hoje com o seu tom jocoso de fazer filme e de fazer crítica. Com seu talento para fazer esta arte, Chaplin se manteve com o cinema mudo até mesmo com o advento do som, pois acreditou que as falas poderiam tirar seu poder de alcançar mais pessoas, já que com o cinema mudo não era necessário fazer dublagem e assim era comum a qualquer um. Em TEMPOS MODERNOS (1936), filme que ele conta a história de um operário, Chaplin faz incisivas críticas aos novos caminhos que a sociedade está tomando, tanto no trato das pessoas quanto na criação de valores, mostrando que somos apenas uma parte da engrenagem ..... se quisermos.


                Você consegue imaginar semelhança entre um rebanho de ovelhas e vários trabalhadores saindo de uma estação de metrô? Com esta charge, Chaplin inicia seu filme demonstrando que nós somos tal quais estes animais, visto como apenas para servir e não para opinar, como se não tivessem sentimentos, emoções, fome ou dor, em mundo que estava se tornando cada vez mais capitalista. Assim eram tratados os operários da época, trabalhando como escravos, com movimentos repetitivos, danificando suas saúde, sem direito a protestos e greves, descanso, bons salários, segurança ou condições humanas para se trabalhar, vivendo apenas para dar lucro aos donos das fábricas que enriquecem a cada dia com a mais-valia. Com o surgimento das máquinas, os homens, eram ainda mais descartáveis, já que elas, mais potentes, fariam o trabalho de muitos homens, gerando mais desemprego e tirando o poder de consumo das pessoas, razão pela qual existem hoje grandes crises econômicas.


                Um exemplo das possibilidades dentro da sociedade, é a presença da Jovem que aparece no filme. Cansada da situação e se recusando a passar fome, passa a agir contra o sistema e suas leis. Assim como ela, somos nós, um povo sem mãe e com um pai desesperado a procura de emprego para poder dar uma vida digna para seus filhos. Com as injustiças do mundo humano, assim como o pai, somos obrigados a viver sozinhos à procura de sustento e possibilidades. A sociedade perde seus valores quando acusa alguém de crime por conta da fome, sendo que ela própria é que nos deixa a míngua, num mundo terrificante, sem emprego e sem destino.


                A Obra de Charlie nos mostra que a felicidade para a grande massa desprivilegiada são coisas simples como uma família feliz, ter o que comer, condições para se manter. O luxo aqui não é o carro zero ou a TV de plasma. Quando foi que nos tornamos tão fúteis a ponto de desprezarmos sentimento e valorizarmos objetos? O luxo no filme se torna parte do imaginário, algo que vemos no cinema, distante da nossa realidade, mas perto do coração e dos sonhos. Verdade? Mentira! O filme de Chaplin está ai para mostrar que cinema é feito de sonhos, de sonhos de um mundo melhor. Este denuncia que os homens estão degringolando o nosso mundo. Este é quase um uivo de socorro por um mundo mais justo. Se Chaplin tivesse que gravar este filme hoje ele não o faria diferente, exceto por três coisas: cor, som e péssimos críticos de cinema, alem da falta de interpretação filmica de muitos.




Título Original: Modern Times
Título no Brasil: Tempos modernos
Ano de Lançamento: 1936
Direção: Charles Chaplin

3 comentários:

  1. Esse Chaplin é no seu quarto ? que loko !

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  2. Já assiste esse filme .Todos os filmes de Chapin são ótimos.Bom fim de semana!

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  3. Filme maravilhoso e boa abordagem sua. Gosto muito da montagem dialética que você cita: massa de operários X rebanho de ovelhas.

    O final incisivo e cáustico faz jus à crítica do filme. Muito bom.

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