26 de nov de 2011

CULTURAS DE RESISTÊNCIA - CULTURES OF RESISTANCE (2010)



Marcel Moreno

Este documentário abrange assuntos de vários países com um único intuito: salvar um povo e suas características, suas culturas. Resistência vai alem de um significado modesto e singelo como a reação de um corpo contra outro, ou simplesmente resistir sobrevivendo. Este documentário trata da proteção a cultura, proteção aos valores, proteção a vida e a uma civilização. Resistir para manter viva peculiaridades de um grupo de pessoas que está desaparecendo por pressões externas, sejam elas por governos opressores, desrespeito a terra e as pessoas, lutas contra milícias ou falta de esperança. A resistência aqui é todo o caminho a ser percorrido para se alcançar o fim que denominamos paz.

                 Vemos no decorrer do documentário vários assuntos como o abuso de grandes corporações que exploram o solo congolês para extração do minério coltan, muito utilizado como componentes em celulares e notebooks. Vemos também casos de mulheres sendo violadas mais de uma vez com o intuito de desmoralizar e expulsar as pessoas de determinadas regiões. Muitos dos problemas sofridos pela África ainda é herança do neocolonialismo e da falta de respeito à autodeterminação dos povos, ocasionando milhões de genocídios pelo continente.  O Brasil também é citado no documentário por conta da expansão do agronegócio e o desmatamento gerado por conta deste crescimento descontrolado e sem planejamento. O Muro criado por Israel para proteger seu território dos países árabes, e principalmente da Palestina, não é um sinal de força e sim de fraqueza, já que o fraco é quem precisa de proteção, incitando a violência, a segregação de povos e ao ódio. Estes são alguns dos exemplos expostos no filme, alem de outros aduzidos de forma clara como erros do homem, arraigados na terra que vivemos, no homem como um todo ou no dentro coração.

                Do outro lado temos bons motivos para celebrar a união das pessoas, porque podemos ver que, mesmo diante de tanto sofrimento, ainda há esperança e força para lutar. E novamente, como em tantos outros casos, a arte é manifestada como uma forma de união, de expressão e de protesto, seja com a música, com grafite, com fotografias, poemas ou quadros, estes instrumentos são capazes de mostrar as pessoas de que nada está perdido e que só depende de nós instituir a mudança.

                “Num grande país. Vivo num país tão grande, que tudo fica distante: a educação, a comida, a saúde, a moradia. Tão extenso é o meu país, que a justiça não alcança todos”. É com esta frase que uma mulher mexicana define seu país. Esta frase é atemporal e onipresente. Posso facilmente adequá-la ao Brasil e a muitos países espalhados pelo globo e que dependem da ajuda de outros Estados. Resistir para manter a nossa cultura, é manter inflamado o espírito do ser humano, respeitando as pessoas e a terra que vivemos. Todas estas desgraças causam aniquilações de sonhos, mutilação de vidas e cicatrizes nas lembranças de pessoas condenadas a viver uma vida injusta e sem qualquer motivo para continuar seguindo. O documentário nos faz refletir sobre qual é o tipo de ajuda que a África precisa? Qual a ajuda que o mundo precisa? Qual o nosso papel nesta luta?

Título Original: Cultures of Resistance
Título no Brasil: Culturas de Resistência
Ano de Lançamento: 2010
Direção: Iara Lee

2 comentários:

  1. O tema além de ser interessante, é extremamente urgente, o avanço cada vez mais severo e destruidor de grandes corporações, justificados pela ideia do enriquecimento tem extinguido civilizações inteiras... de fato não precisamos nos distanciar da realidade do Brasil para percebermos isso, indios, quilombolas e ribeirinhos estão perdendo não só sua cultura, mas também seus aparatos de sobrevivência pela exploração gananciosa de empresas e governos...
    Quero muito assistir a este documentário!
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    Acho que vou ter que ver, pois acho que só assistindo compreenderei o que ele torna ele digno de tantos elogios... gostei da sua crítica e principalmente do estilo despojado de escrever. Estou com um monte de filmes na espera para serem assistidos, e mesmo não sendo meu estilo favorito, vou dedicar um tempinho a este e quem sabe ele não me surpreende também! Abraços, parabéns pelo blog!
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    http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/11/hora-de-voltar.html

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  2. Me instigou ainda mais a vê-lo. Concordo com você no que se refere ao tipo de ajuda que geralmente se dá à África ou países emergentes, quando, do outro lado, o que permanecem são todas as estruturas que faz o continente ou o país precisar de ajuda...

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