8 de jan de 2012

MADAME BOVARY (1991)





Por Marcel moreno


              Muitos são os filmes que tentam retratar um casamento mal sucedido, que como consequência, algum parceiro se aventura em uma relação extraconjugal com o intuito de suprir algo que está ausente no casamento. Outro ponto abordado é a tentativa de fazer uma adaptação de um livro, que neste caso foi muito bem sucedido,  resgatando os pontos crucias da visão do escritor e características dos personagens, sem deixar escapar a alma do livro. Madame Bovary de Claude Chabrol é simplesmente uma película sem igual, colocando-a num nível que podemos classificar como peça genuína da 7ª arte. Para uma adaptação, o filme é fantástico, pois em nenhum momento você fica com dúvidas sobre alguma cena por não ter lido o livro e nem fica perdido na história. Outro ponto é o fato da interpretação da atriz, que alias lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Moscou, conseguir mostrar todos os reais sentimentos da personagem para o telespectador.



                Neste filme também há a exposição da sociedade e toda sua hipocrisia. Diferentemente do filme UM AMOR DE SWANN (1984) que expõe todos os lances da burguesia e quebra totalmente sua imagem de perfeição, aqui temos um exemplo clássico de um relacionamento a dois que por algum motivo não deu certo. Enquanto todos olham para as máscaras de um médico casado com uma linda esposa e com uma linda filha, alem de uma boa profissão e ganhos financeiros, dentro das paredes de alvenaria a história é outra. O médico é casado com um mulher adultera que não liga para a filha e nem para o marido, e mesmo que ele faça tudo para agrada-la, ela nunca fica satisfeita, sempre presa no seu mundo e dominada por um depressão, envolta de mentiras que modelam o seu viver todos os dias.



                Emma era sobretudo uma mulher sonhadora. Acreditou que casada com um médico teria o status que ela queria, alem de, como uma mulher casada, desfrutar de todas as vantagens que a sociedade dava para as pessoas com este status. Quando se viu em um casamento totalmente diferente do que ela sonhava, entrou em uma depressão e momentos de extrema solidão. Quando alguns homens começaram a aparecer na sua vida, começou a ter atrações carnais, visto que ela não gostava de verdade dos parceiros que arrumou, eles eram uma forma de suprir alguma necessidade, que nem ela mesmo sabia, mascarando assim algo que faltava interiormente. Na verdade eles faziam parte das mentiras que ela criava. Eles nunca diziam de verdade ou acreditavam que iriam ficar com ela pelo resto da vida, mas ela mentia para si mesma acreditando nisto. Por viver de aparência, acabou criando uma vida baseada em mentiras, o que acabou levando-a a ruína, já que costumava presentear seus amantes com presentes caros e usar roupas caras, todos os esforços feitos com assinaturas de promissórias que acreditava um dia não precisar pagar porque estava sempre arquitetando uma fuga.



                Assim é o romance criado por Flaubert trazido as telas com muito talento por Chabrol, que não deixou em nenhum momento de imprimir na película sua assinatura, peculiaridade esta que foi defendida por ele mesmo n movimento que conhecemos por Nouvelle Vague. Assim, com cenas secas sem muito romantismo, Chabrol vai construindo a personagem Emma, constituída de uma psicologia bem trabalhada, com detalhes intrínsecos a ela, que combinado com a ótima atuação de Isabelle Huppert, temos uma Madame Bovary vestindo as máscaras da burguesia da época. Quando vamos conhecendo seu interior temos uma denuncia sobre a sociedade parisiense. Se Flaubert pudesse ter vivido nesta nossa época, iria verificar que muita coisa ainda é igual ao que foi idealizado por ele em seu romance. A sociedade cada vez mais se mascara com os seus falsos moralismos, sustentados por pessoas hipócritas que acreditam na teoria do certo e fazem o errado.


Título Original: Madame Bovary
Título no Brasil: Madame Bovary
Ano de Lançamento: 1991
Direção: Claude Chabrol


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