10 de jul de 2012

HUNGER - FOME (2008)


por Marcel Moreno



                 Steve McQueen, mesmo diretor de SHAME (2011), trouxe aos cinemas um maravilhoso filme biográfico sobre a vida de Bobby Sands, que retrata a vida de presos republicanos que lutam pelos seus ideais. Se a intenção era nos chocar com a violência e a desumanidade com que era tratados os presos paramilitares, este diretor o fez com maestria, uma vez que nos coloca a disposição um arcabouço de condições sub humanas de tratamento para com o semelhante; Algo que praticamente transcende qualquer crença religiosa ou emoções humanas, capaz de destruir o torturado e o torturador.


  

                Sem status de presos políticos, denominação essa retirada pela então primeira ministra Margareth Thatcher, os encarcerados na Irlanda do Norte ficam a mercê do Estado para que estes façam com eles o que julgarem necessário. Bobby não se entrega a estas posições governamentais e traça planos para tentar reverter a situação e garantir os direitos políticos, ou no mínimo humanos, para o tratamento dos presos, até que chegar em um dos planos mais sofridos que seria a greve de fome.

               


                Em dado momento, a tropa de choque se coloca fazendo barulho para aterrorizar como um grupo assustados de macacos. Métodos desumanos de pressão, revistas abusivas e meios bárbaros para se manter a ordem compõem o ambiente hostil e maléfico. Um corredor da tortura, da raiva, da estupidez e da ignorância administra os violadores da lei com agressividade, tratando a violência com mais violência. Uma maquina de manufatura humana, onde entram homens para serem mutilados, retirando-os sua dignidade, sua coragem e sua fé, para transforma-los em pura vergonha e dor. Saldo: a força e a vontade podem ser sucumbidas, mas nunca exterminadas.


               

                Diante de tantas insurgências de tantos povos contra seus governos, cabe a nós pensarmos diante de tais fatos, qual seria então o papel do homem em meio a tantas injustiças? Seriam essa sina do homem? Alguns tantos morrer por outros montes alienados? De certo lutar por ideologias é algo subjetivo, uma vez que a ideia de um não é a crença do outro. O fato e que independente disso, o poder central é uno, e não falo do governo, falo das forças do povo. Separados somos milhares, somos muitos, somos diferentes; Unidos somos um, e contra este um não há forças que resistam, não há poderes que nos derrubem e nem mesmo autoridades que nos reprimam.


Título Original: Hunger

País de Origem: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte

Ano de lançamento: 2008

Direção: Steve McQueen

3 comentários:

  1. Ah Michael Fassbender! Que atuação!

    Visite também:
    http://www.peliculacriativa.blogspot.com.br

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  2. Fiquei interessado por conhecer esse título. Gostei da parceria de Fassbender com McQueen em "Shame", aposto que essa deve ser bastante válida também.

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  3. Já faz um bom tempo que eu queria ver este filme, mas até então a escassez de tempo acabou me impedindo, eu também gostei muito da parceria de Fassbender e McQueen em "Shame", um dos melhores filmes que vi nos últimos meses, acredito que este também deva ser muito bom, percebo isso pelo seu texto Marcel, tentarei vê-lo em breve!

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/07/pearl-jam-twenty.html

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