23 de nov de 2011

BUBBLE – HÁ-BUAH


Por Marcel Moreno
                Bolha: Substantivo feminino. Vesícula que se forma à superfície da pele por efeito de queimadura. Pequena quantidade de ar contida numa substância fundida. Glóbulo cheio de ar que se eleva à superfície dos líquidos em movimento, em ebulição ou fermentação. Bolha pode ser um espaço fechado para novas ideias. Grupo de pessoas que compartilham de experiências e idéias parecidas, e por vezes afastadas da realidade. Este é o apelido de Tel Aviv, lugar onde as pessoas voluntariamente se excluem das realidades sociais vividas dentro de Israel.

                Cenas como as que dão inicio ao filme, acontecem todos os dias nas fronteiras de Israel e Palestina. Mas dentre todos os acontecimentos mundanos, uma mulher grávida, prestes a ter filho naquele momento, é o único evento capaz de deixar de lado qualquer intriga ou medida do governo, e faz com que todos se voltem para o fato mais bonito da vida:
o nascimento de um bebê. Esse é o símbolo supremo da esperança e do amor, que é destruído com a morte. Essa dualidade da vida, nascimento e morte, traz a tona vários sentimentos que outrora estavam adormecidos no coração do homem. Da mesma forma que a vida une, a morte “induzida, causada ou erro da natureza humana” separa e gera ódio, novamente colocam em evidência outras magoas que estavam adormecidas. E justamente ai que se esconde o outro lado. Não há um ator nação, outro exercito, e outro governo. Todos estes são formados por unidades denominados homens, com sentimentos e vontades, anseio, angustia e gana, tanto os soldados das fronteiras têm quanto os outros migrantes palestinos.

                O filme mostra um outro lado da situação que não estamos habituado a ver nos jornais. Quem nunca parou para pensar que, em meio a guerras e conflitos, existem pessoas felizes? Casamentos? Amigos? Amor? A originalidade do filme é justamente mostrar que isso também existe, sem esconder que todos estão de certa forma envolvidos, direta e indiretamente com tudo. E que pode ser diferente. A “Have Contra a Ocupação”, é uma mostra clara que a esquerda israelense está viva, existe e luta, do seu modo, pela igualdade dos povos. Que a guerra na verdade são dos políticos. Não devemos olhar para o filme como algo longe e diferente de tudo. O que mostra é que vivemos em mundo repleto de diferenças, israelenses e palestinos, amor e ódio, extremistas e tolerantes, muçulmanos e judeus, católicos e protestantes, justiça e exclusão, homem e mulher. Ódio alimenta ódio e todos perdem. Não espera odiar e ser amado, mas amando planta-se uma semente.

                Somos diferentes. Não importa quem somos. Somos diferentes. Em algumas senas desta película, vemos as mesmas pessoas sendo tratadas diferentemente de acordo com o lado que ocupa. O que importa não é o lado que estamos, o que importa é o que está na nossa essência humana, o que importa é o que está no âmago que é o que define quem realmente somos, sem se importar com nenhum caráter social padronizado que possa excluir ou incluir um homem. O amor sempre vai existir sendo você palestino, gay, israelense, muçulmano, heterossexual ou judeu. Os conflitos existentes são ocasionados apenas por ódio e interesse político, porque para a população, um sorriso, um olhar, um abraço, estes sim, são todos iguais.


                Com uma trilha sonora com Ivri líder – Song to Siren e The Man I Love e Jay Walk Snail – Holly Scott And The Aerial, você vai viajando por belas imagens de um país totalmente diferente dos ritos habituais do nosso lado ocidental, com características nada peculiares a região como influências americanas e européias, além de vidas de trabalho, filho, correria como as daqui ou as do outro lado do globo.

                Com atores jovens e uma história comum a qualquer país, mas que é destruída com a opção extrema de um homem bomba, Bubble leva-nos a pensar além do trivial sobre uma sociedade que só conhecemos pelos noticiários, com cenas que misturam sentimentos, relações, amor a amizade, que dão um toque especial ao filme expondo que em lugar de imaginarmos e vermos somente a guerra, também existe vida humana. Enquanto os homens estiverem dispostos a lutar pelo ódio, muita coisa não vai mudar, porque só o que une é o amor a vida. A guerra não nos perturba, somos nós que não a deixamos em paz. Bobble ou a bolha pode ter vários significados. Bolha pode ser um grupo, um conglomerado de algo, uma bolha de água, uma gota suficiente para acabar com tudo, para estragar tudo, para explodir tudo, pode ser uma lágrima de amor, de sexo, de dor, de ódio, de arrependimento, ou simplesmente a gota d’água para pôr fim a tudo.


Título Original: Há-Buan
Título no Brasil: Bubble
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Eytan Fox

2 comentários:

  1. Um filme emblemático, eu diria. Gosto do Eytan Fox, e gosto de "Bubble", embora goste mais de "Yossi & Jagger". Imaginei que seu texto fosse seguir o teu rigor humanista, mas está mais impessoal. Hehehehe

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  2. Vou querer muito assistir, pois acho muito importante este tipo de filme que quebram paradigmas pré concebidos... Por isso gosto tanto da produção cinematográfica do Irã e de outros países cuja cultura possui diferenças significativas da nossa... É maravilhoso descobrir que valores como o amor, a amizade e a solidariedade são universais e que chegam a prevalecer mesmo em situações tão desfavoráveis, como na palestina...
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    http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/11/hora-de-voltar.html

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