9 de abr de 2012

MATCH POINT – PONTO FINAL (2005)



Marcel Moreno



Se pararmos para pensar, na vida não temos muitas certezas e ela mesma não é muito estável. Estamos sempre entre o mito e o real, a dúvida e a certeza, sorte e azar, medo e segurança, o arbítrio e o destino. Woody Allen nos mostra a vida neste filme como um jogo de ping pong, em determinado momento uma bola pode bater na borda da rede e cair para o lado que te traz um benefício ou algum prejuízo, e não necessariamente o que parece ruim o é, podendo até ser algo de sorte.



Chris é um rapaz muito talentoso em ping pong, e não se sabe se por falta de se arriscar ou se por azar mesmo; Não fez muito sucesso como profissional, tornando-se um professor. Nesses termos acaba conhecendo uma mulher rica que se torna sua mulher. Por intermédio de seu aluno, irmão de sua futura mulher, acaba conhecendo Nola, sua possível cunhada, que o atrai e - muito - por sua beleza. Nola é aspirante a atriz, mas com pouco sucesso, uma vez que apesar de arriscar muito não consegue nenhum papel. Neste ínterim suas vidas se transformam nos fazendo pensar que pode passar da sorte para o azar, ou do destino ao acaso, ou mesmo produto das péssimas escolhas.


A grande sacada de Woody Allen, que sempre nos surpreende com seus filmes, são as jogadas com o que o senso comum acredita. O que para muitos é sorte e para outros uma coincidência matemática, para outros pode ser destino e para outros ainda é apenas o acaso. Mas onde entra o livre arbítrio? O fato é que pensamentos cristãos ocidentais onde somente Deus pode dizer do seu destino, pouco espaço sobra para nós decidirmos o que podemos ou escolhemos ou interferimos. Esse misto de sorte, azar, escolha e acaso na vida dos personagens é que faz de Match Point uma obra sem igual, chegando a nos confundir e nos perturbar com as possibilidades que as nossas vidas podem ter quando colocamos alguns elementos como estes citados e trabalhados no filme.

Alem disto que é o ponto forte do filme, outros elementos completam esta obra como as belas imagens da Inglaterra; O uso de operas como a trilha sonora, e em especial La Traviata, música forte e tocante; E para os leitores de Crime e Castigo de Dostoievsky, há ainda um toque a mais de referências e citações.


Contudo, o telespectador após assistir este filme se não perturbado, fica confuso com o final simplesmente surpreendente. Será que todas as ações são fortemente influenciadas pela sorte? Ou somos mesmos guiados por uma força maior que dita nosso destino. Ou ainda temos o poder de escolher, e tudo isso ligado a nossas personalidades, objetivos e engajamento, podemos mesmo guiar nossos caminhos a lugares nunca imaginados? Persistência, perseverança e garra são ferramentas fundamentais, e o talento é o primeiro passo para termos exito, temos a sorte como única em cada um como elemento, mas acima de tudo está a crença que cada um tem em si mesmo. Se o destino é pura sorte ou um produto das nossas ações não sabemos, mas por um ou por outro, é preferível acreditar que quem faz sua sorte é você!

Título Original: Match Point
Título no Brasil: Match Point – ponto Final
País: Reino Unido, Estados Unidos e Luxemburgo
Ano: 2005
Direção: Woody Allen

2 comentários:

  1. Perfeita a reflexão!
    Eu adoro este filme, acho um dos melhores da fase mais recente de Woody Allen! O clima opressivo e perturbador dele é um de seus melhores aspectos!

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  2. Gostei da sua proposta de pensamento, acho que ela é bastante válida. Também fiquei pensando acerca da sorte após o término do filme. Não acho que se trata de uma grande obra de Woody Allen, apesar de achar o filme interessante de se ver. Para mim, o grande mérito do seu texto é o seu texto, excelente, parabéns.

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