8 de fev de 2012

A OUTRA - ANOTHER WOMAN (1988)





                                  Este filme é mais uma das genialidades de Woody Allen quando trata da psicologia humana. Primeiro contato com o filme e seu título imaginamos mais um caso de adultério; Num segundo momento imaginamos que poderia ser uma outra mulher a influenciar a vida da personagem principal. Toda a trama nos remete a simples imaginações, o que configura algo totalmente diferente ao término do filme. Alem disso temos um roteiro muito bem elaborado, o qual faz o telespectador ser levado a questionar várias situações da vida, assim como a própria atriz principal faz. Várias das questões que são abertas não são fechadas durante o filme, o que faz com que fique para nós a respostas. Isso tudo já era de se esperar tendo Woody Allen como diretor e roteirista.


                Marion, atriz principal, é uma diretora de uma escola de filosofia e está em recesso para escrever um livro. Para realizar seu objetivo, aluga um apartamento, que será usado como escritório, para desenvolve-lo. Ela tem uma carreira de sucesso, sendo bem posicionada no trabalho, tem um casamento ótimo, uma amizade com sua enteada que muito substitui a filha que ela não teve, tem um nível intelectual avançado, além de ser bem sucedida. Até ai ela parece um personagem comum. Porem o apartamento que ela alugou fica exatamente do lado de um consultório psiquiátrico. Por um erro qualquer, ela consegue ouvir alguns pacientes, o qual tenta evitar, até que ela se sente mexida com os depoimentos de uma personagem. Depois disso sua vida muda totalmente e ela vai em busca de seu auto conhecimento, o que proporciona descobrimentos avassaladores, com o afloramento de seus questionamentos.

                O ponto forte do filme sem dúvida são os diálogos, ora ela com outras pessoas, ora ela com ela mesma em formato narração off, o que enriquece o filme graças ao bom roteiro e direção. Quando Marion começa a se questionar sobre o que deveria ter feito ou o que ela poderia ter feito, sua vida se tranforma. O fato é que como muitos, ela vivia sua vida sem se dar a oportunidade de viver o que ela gostaria de viver, sem calcular consequências de escolha no amor, direcionada pelo comodismo que a atual situação trazia. A crise existencial faz da sua situação o auge da Marion com os velhos pensamentos, dando espaço para a eminência de uma nova Marion.

                Com ótimas fotografias que mostram uma Nova York simples e comum, a vida desta personagem vai se transformando, se mexendo, se conhecendo. A Marion encontrada no começo do filme já não é mais a mesma Marion, e percebe que velhas oportunidades perdidas não voltarão. Quantas questões deixamos passar apenas porque vivemos o dia-a-dia sem pararmos para dar atenção as nossas vontades ou aos amores que passam pela nossa vida. Esse drama vivido por ela não é algo longe da realidade de uma sociedade que está em constante movimento de transformação, direcionada cada vez mais para uma sociedade individualista, egoísta e capitalista como a nossa.

Título Original: Another Woman
Título no Brasil: A Outra
país de origem: Estados Unidos
Ano de Lançamento: 1988
Direção: Woody Allen


Um comentário:

  1. Já quis resenhar A Outra, mas fiquei temeroso por ser uma obra extremamente complexa. Gostei da sua análise e concordo. É uma obra-prima e um dos cinco melhores do Allen!

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