20 de jan de 2012

O CÃO ANDALUZ – UN CHIEN ANDALOU (1929)



Por Marcel Moreno

                                  O cinema nasce da criatividade dos seus idealizadores. Não há bons filmes isentos de muita criatividade na elaboração de roteiros ou passagens e na criação de imagens que, como a arte que explica através do que se vê, deve falar e explicar muito com as suas simbologias. Para filmes surrealistas isso não é diferente, é primordial, embora em muitos casos, o entendimento fique entregue a subjetividade. Aqui podemos ver a pura expressão do subconsciente de Luiz Buñuel e Salvador Dali, os roteiristas, dentro de uma película, se não espantosa, com certeza instigante.
                                 
                                    Não tente encontrar uma razão de ser porque não há. Tão pouco é possível fazer uma sinopse porque muito do que forma a interpretação fílmica é entendido a partir do subjetivo de cada um. Muitas são as imagens que se tornam maravilhas como a cena em que uma pessoa está cutucando uma mão no chão e diversos curiosos a olhar, quando chega um policial e guarda a mão em uma caixa. A dispersão das pessoas com o término do fato, nos lembra, e muito, a cena que saem várias formigas de um estigma na mão de um personagem; Ou mesmo a cena do homem cortando o olho de uma mulher da mesma forma que a nuvem está cortando a lua; Imagens sem nenhuma preocupação estética ou moral. Tudo isso demonstra o talento e as perspectivas do olhar de um dos diretores que marcou sua época.

                                      Em suma o filme de Luiz Buñuel é uma das obras importantes para a história do cinema. Pode ser vista de várias formas, podemos até supor uma crítica a sociedade, onde os homens, quando há alguém morto ou um pedaço do que já foi vida outrora, ficam com a curiosidade aguçada, esquecendo-se que aquilo já foi homem, assim como ficam as formigas diante de um torrão de açúcar, sedentas pelo que nada tem a ver com as suas vidas, alimentadas pelo sofrimento dos que perderam, e feitos zumbis, passam a vagar procurando uma nova alma para desrespeitar-lhe a vida .... ou a morte. A ideia dos filmes surrealistas é deixar algo fluir do subconsciente, automaticamente e sem racionalizar as ideias. Se você me disser que isso está no olhar de quem observa, então eu o desafio a decifrar um mundo surreal, onde mais surreal do que a própria película é o talento e a criatividade de Luiz Buñuel.

Título original: Um Chien Andalou
Título no Brasil: Um Cão Andaluz
Ano de lançamento: 1929
País de origem: França
Diretor: Luiz Buñuel

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