19 de jan de 2012

BENT (1997)




Por Marcel Moreno

               Muitos são os filmes que abordam o tema burguesia mostrando seu âmago e aplicando críticas a seus modos de vida, como por exemplo, O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA (1972). Fora a moralidade mundana, por muito tempo calcado na visão moralista da própria burguesia, a situação na Alemanha de Hitler não era diferente. A burguesia continuava a manter a imagem de puros, enquanto que muito deles se organizavam em guetos para manifestar seus instintos mais íntimos.  Assim eram em casarões afastados e abandonados que as festas aconteciam e reuniam todo tipo de gente aconteciam. Entre homens, mulheres, soldados, homossexuais, travestis, judeus, efeminados, filhos de barões, e qualquer um que pudesse representar ou as classes marginais daquele país ou aqueles que queriam fugir da realidade, regados a bebidas, drogas, sexo e boa musica, é que as pessoas eram tudo o que o governo nazista era contra.
            Um dos que frequentavam estas festas era Max. Max era um homem que fazia parte da burguesia alemã da época, e como judeu, arriscava muito a sua vida sendo quem queria ser com a Gestapo capturando qualquer um que não fizesse parte da raça ariana. Ele era um homem que não sabia o que era a amor, o que para ele se limitava apenas a beijos, sexo promíscuo e qualquer contato pele com pele que ele pudesse ter com qualquer um, e esse sentimento de desapego não o deixava perceber o quanto alguém muito proximo gostava dele a ponto de aceitar qualquer aventura que surgisse. É justamente em um destes encontros que ele modifica totalmente sua vida. Tendo que fugir do exército de Hitler, vai solicitar ajuda a sua família que se recusa a ajudar seu namorado. Assim, vivendo em meios as florestas, foi capturado e levado de trem a um campo de concentração, onde conhece um outro prisioneiro que lhe mostra o que é o orgulho de ser quem é e que não necessariamente o prazer vem, necessariamente, do sexo corpo-a-corpo.

            O que chama a atenção neste filme alem das percepções da situação da Alemanha de Hitler, inclusive a dos trabalhadores que estavam vagando como zumbis pelas florestas da Alemanha, como um resgate do sentimento de insegurança e a falta de rumo do país calcado no expressionismo alemão, e as tentativas de reproduzir a situação dentro dos campos de concentração, foi o uso de cores para indicar quem é quem nos campos de concentração e estabelecer um critério de hierarquia. Há muito já se falava nas cores dos trianglos, mas aqui podemos nos deparar com a situação de umas escolha de cores, onde se opta pelo triangulo amarelo que designavam os judeus, em detrimento ao rosa que significavam os homossexuais e era o mais baixo na hierarquia das cores.

              Tendo em vista que muitos filmes já abordaram estes temas como homossexuais, burguesia alemã ou 2ª guerra juntos, este coloca a nossa disposição algumas peculiaridades da situação, alem de introduzir dentro da enxurrada de informação um romance que, para o momento, era proibido. Se o objetivo do filme era abordar um amor proibido em plena 2ª guerra, ele o faz com muito talento, alem de abordar um lado oculto do amor, o amor separado do prazer do sexo. Com uma bela atuação de Mick Jagger como uma travesti cantora, as atuações dos personagens somadas a um roteiro chocante e enigmático, e imagens que se contrapõe a quase todo instante, nos leva em certos momentos a pensar e a vivenciar um pouco dos sentimentos. Mais do que os preconceitos sofridos pelos judeus, BENT nos mostra o preconceito em todos as esferas, e nos mostra ainda que, nos campos de concentração, independente se judeu, gay ou outra classificação, todos são iguais dependendo somente das cores para serem classificados e hierarquizados, no fim todos são iguais.

Título original: Bent
Título no Brasil: Bent
Ano de lançamento: 1997
País de origem: Reino Unido e Irlanda do Norte
Diretor: Sean Mathias







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