5 de mar de 2012

O ARTISTA – THE ARTIST (2011)


Por Marcel Moreno

                 Se um dos triunfos do cinema é poder nos contar o que aconteceu trazendo a nós emoções reais, O Artista não fica devendo em nada quando o assunto é um pedaço da própria história do cinema. A mudança do mudo para o falado teve tanto impacto quanto quando o preto e branco perdeu espaço para as cores, ou, mais presente a nossa época, quanto os Estados Perder Hegemonia para um país emergente. Apesar de as emoções que brotam no nosso corpo são mais próximas do romance, a história para quem tem entendimento do assunto é algo mais que emocionante, é a oportunidade de vivenciar um dos momentos cruciais para o destino desta arte tão presente em nossas vidas e que, pela crescente fabricação de material de péssima qualidade, vai perdendo sua estrutura de arte e passa a ser de mero entretenimento.




                A história de Georger Valentin e Pepe Muller transcendem os romances da época uma vez que ele e ela representam o surgimento do som nos cinemas e a praticamente morte do cinema mudo. George Valentin, charmoso e galanteador do cinema mudo, alem de egocêntrico e narcisista, se vê em decadência quando sua produtora opta pelo encerramento de trabalhos mudos, para dar inicio a nova era com vozes no cinema; por sua vez Pepe Muller, uma atriz em ascensão muito talentosa, com uma pequena ajuda de George Valentin, desponta como grande símbolo daquela que seria uma das grandes transformações cinematográficas. Entre conflitos de interesses, o cinema vai ganhando forma, e sons, momentos, e assim evoluindo enquanto arte.

                O filme O Artista está cheio de pontos fortes a começar pelas belas atuações de Jean Dujardin. Suas expressões faciais de impressionar dão um toque especial a aquele que faria sucesso nos cinemas mudos. Suas caras de ora chateado, mas fingindo estar feliz, ora recuperado, mas com face de quem está sem saber como será o futuro, ou mesmo de narcisista apaixonado, faz dele um grande ator merecedor de um Oscar.


                As homenagens feitas a diversos filmes é um outro grande fator que favorece o filme. Podemos notar desde menções a Charlie Chaplin, grande diretor e ator do cinema mundial; A METROPOLIS (1927), filme consagrado como uma das obras primas cinematográficas com direção do grande diretor Fritz Lang; Ao próprio nome do personagem principal como homenagem ao ator Italiano Rodolfo Valentino, primeiro simbolo sexual com pinta de amante latino, que viveu nos Estados Unidos nos anos 20 e consequentemente na era do cinema mudo; E outras menções mascaradas e escondidas que emanam das telas para a nossa admiração e reverência.

                O cinema enquanto arte tem vários poderes, inclusive de abordar e inserir valores aos seus admiradores. Dentre milhos de Roteiros mal elaborados e sem comprometimento nenhum com ideias que podem ser geradas nas mentes dos seus telespectadores, surge O Artista com a história de um ator muito bondoso, mas muito orgulhos, que acaba por perceber deixar ser ajudado, não é rebaixar seu talento, é ter a oportunidade de vislumbrar novas possibilidades. Neste quesito este filme também faz seu papel enquanto arte na construção de valores. Assim como em várias películas que tiveram papeis importantes neste assunto, ele não deturpa os valores do homem pela possibilidades de ganhos pessoais, e sim um ganho de algo fraterno de uma mão amiga.


                O Artista esbanja charme, beleza, leveza, e tudo de belo do mundo cinematográfico. Para ser um filme de verdade não basta produções milionárias, tem que arte correndo. Um filme pelo dinheiro é mero entretenimento; A arte cinematográfica vai alem do que a mente pode imaginar. É justamente a junção da arte com o cinema que é possível compor belos trabalhos dignos de nossa atenção. E mesmo na era de filmes digitais e produções 3D, um filme mudo e preto e branco como este, o que manda não é modernidade em detrimento do velho, aqui quem manda é a imaginação ... e o bom gosto claro!

Título Original: The Artist
Título no Brasil: O Artista
país de origem: França
Ano de Lançamento: 2011
Direção: Michel Hazanavicius

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