20 de nov de 2011

IRMA LA DOUCE

Marcel Moreno         


         Como será que eram vistos os policiais corruptos, as prostitutas, as desorganizações sociais, os policiais honestos, na França das décadas de 50 e 60? O que todos diriam - com maus olhos, na comédia de Billy Wilder é visto com toques de muito deboche e sarcasmo. Parece até que este país é perfeito nestes meados, mas na realidade esconde um submundo, o qual não se pode negar a existência e nem dizer que era diferente do que é hoje.

                Toda a trama começa zombando de Nestor Patou, um policial honesto que tenta fazer seu trabalho em um novo local, seguindo cada artigo da lei, após ter servido a corporação zelando pelo bem estar de crianças indefesas em um parque da praça. Este é o próprio paradoxo da figura do policia, uma vez que temos em mente a figura de um policial durão e esperto, e este por sua vez era ingênuo, fracote estabanado. Outro personagem muito importante é a protagonista que dá nome ao filme Irma, La Douce, que não é preciso explicar o significado deste adjetivo. Irma além de fazer bem seu trabalho como garota da vida, já que é muito lembrada
por seus clientes, é esperta, astuta e ardilosa, a ponto de enganar seus clientes com histórias de cortar o coração de qualquer um e tirar risadas dos telespectadores. Uma cachorra viciada em champagne e um barman, ladrão romeno de galinha advogado professor de economia da Sorbonne ladrão de banco e obstetra (But that it’s another history!), chamado Mustache, completam a gama de personagens hilários. Em meio a “macs” (cafetões), “Poules” (prostitutas) e “Flic” (policiais) a sequência de acontecimentos vão seguindo a medida que Patou se apaixona por Irma e não quer mais que ela continue com esta vida, ao passo que Irma não pode parar de trabalhar porque será mau vista pela pequena sociedade deste submundo, por não conseguir sustentar seu homem ou Mac.


                Assim segue em um tom jocoso o Bairro de Les Halles que tem vida a toda hora, diferente dos bairros chiques de Paris. Aqui você pode encontrar um bistrô freqüentado por policiais corruptos, cafetões bem vestidos e sustentados por suas garotas, e você pode escolher entre Kiki, Anne, Lolita, Mimi e a bela Irma. Todo isso é de certa forma uma observação a crença de que estas décadas eram perfeitas, pois não tinham essas “bizarrices” de hoje. Muito pelo contrário, o submundo sempre existiu. Alias conforme uma frase do filme, há uma controvérsia nos padrões da sociedade onde “O amor é ilegal, o ódio não. Você pode odiar quem quiser onde quiser. Mas se você quer ternura, carinho, um ombro para chorar, um sorriso, precisa se esconder em becos escuros, como um criminoso!”.

Título Original: Irma La Douce
Ano de Lançamento: 1963

Direção: Billy Wilder


Um comentário:

  1. Ah, eu não acho o Patou um fracote! Acho-o um personagem bem complexo. Gosto demasiadamente MUITO desse filme, uma das pérolas inestimáveis do Midas Billy Wilder. E a taução da Shirley McLane é maravilhosa, assim como do ator que faz o Mustache. Um grandioso filme.

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