14 de nov de 2011

Reel Bad Arabs: How Hollywood Vilifies a People

“Nos filmes e na televisão, o árabe é associado com a
 libidinagem ou com a desonestidade sanguinária.
Ele aparece como um degenerado excessivamente sexuado,
capaz de intrigas inteligentemente tortuosas, é verdade,
mas essencialmente sádicas, traiçoeiras , baixas.
Traficante de escravos, cameleiro, cambista, um patife pitoresco:
esses são alguns doa papeis tradicionais do árabe no cinema.”
Edward W Said - Orientalismo

Marcel Moreno

                Este trecho do livro Orientalismo - O Oriente como Invenção do Ocidente descreve como Edward observou, após um longo tempo de estudos acerca do mundo árabe e a visão sobre o Oriente Médio ao redor do mundo, a idéia que o globo tem sobre o homem que usa turbante, tem nariz grande, tem como fonte de riqueza o petróleo, que mulheres usam burca, e por ai vai uma infinidade de classificações. Existem dois meios que os homens utilizam para formarem suas idéias sobre o homem serraceno: Uma é a leitura ou o contato com filmes que falem do Oriente médio e a possibilidade de presenciar a situação e tirar suas próprias conclusões; Outra é quando você passa a ver várias vezes uma mesma ideia, que se torna verdade ao longo de uma vasto arcabouço de informações só e somente negativas sobre os mouros, sem a possibilidade de aprofundar no assunto e conhecer melhor a situação. Um exemplo bem simples é acerca do Leão. Quando estudamos o Leão, podemos ter várias alusões relativos ao assunto e seus apêndices como o estudo do corpo do leão, sua ferocidade,
seu meio de vida e etc. Neste caso por ser um assunto simples qualquer estudo sobre o assunto começa a ter caráter científico, mesmo que o autor não seja conhecido, pois como o assunto é toda hora tratado da mesma forma e quase sempre com as mesmas idéias, não seria comum que, meros espectadores de entretenimento, começássemos a questionar quais seriam realmente os valores, os modos de vida, o caráter, os grupos, quando toda a informação disponível é praticamente igual, e mostrada por grandes redes televisivas ou cinematográficas como Hollywood.



                Filmes Ruins, Árabes Malvados (2006) é um documentário que expõe como Hollywood retrata a cerne do mundo árabe e como foram caracterizados durante todo este tempo, e assim moldando a imagem do homem árabe. Primeiro podemos perceber a caracterização do mundo árabe, sempre colocado como um lugar seco, quente, atrasado no que aduzi o seu desenvolvimento, monótono, misterioso e perigoso. Olhando para seus habitantes podemos verificar a personificação do homem árabe sempre usando barba e turbante, sempre rico e com muitas mulheres, como se essa fosse a forma perfeita no mundo das idéias. Quando olhamos para sua característica psicológica vemos um homem mal, que luta sem nenhum propósito, que não tem compaixão pelo próximo, que usa mulheres como simples objetos sexuais, burros, terroristas e religiosos fanáticos. Por sua vez as mulheres se apresentam sempre submissas, sem opinião e simples objeto passivo de desejo. Mas nem sempre são caracterizadas assim, pois quando são fortes se resumem a mulheres possivelmente bonitas e sedutoras e terroristas. Se olharmos o Oriente Médio como um todo, vemos um lugar cheio de petróleo e terroristas. Olhando assim é plausível que hoje existam tantos casos de preconceito contra árabes, muçulmanos, e qualquer elemento que possa lembrar o Oriente médio.


                Este documentário faz citações de filmes como O Iron Eagle (1986), Cruzadas (2005), Rede de Intrigas (1976), Rules of Engagement (2000) eleito o mais preconceituoso de todos, (uma vez que retratam o exército dos EUA sendo massacrado pelo povo do Yemen e inclusive mostrando uma criança deficiente abrindo fogo contra os fuzileiros), entre outros, analisando suas passagens e idealizações de personagens, e faz várias observações de como os árabes são tratados, idealizados e materializados pelo trabalho cinematográfico de Hollywood. Esse Soft Power utilizado pelos Estados Unidos é no mínimo injusto, já que o Oriente Médio não possui ferramentas para mostrar o outro lado. Longe de qualquer posição política ou interesse petrolífero dos EUA, as críticas ao sistema são referentes as exclusões e o ódio criado nas pessoas ao longo do tempo, estendendo a criticar a toda trajetória hollywoodiana retratando os árabes de forma distorcida e preconceituosa. Também há filmes em Hollywood, em sua minoria claro, que retrata o homem árabe da forma como o documentário julga ser uma parte do que é real como Perfect Murder (1998) ou Three Kings (1999).

             Quando pensamos no mundo árabe hoje o que vem a nossa mente? Vêm famílias felizes e pais que querem a felicidade de seus filhos? O que vêm quando lembramos das mulheres árabes? Elas riem e divertem-se? Vão as universidades? Os jovens são pacíficos? Devemos lembrar sempre que quando cometemos crimes de ódio contra outras pessoas, povos, raças, religiões, etc, eles também começam a olhar para nós com os mesmos olhos. Isso é um dos motivos que abre espaço para essas nações (de maneira errônea, deixamos claro) buscarem a defesa de seus valores e de seu reconhecimento através de atos terroristas ou qualquer tipo de manifestação que ecoe negativamente no mundo ocidental.

Título Original: Reel Bad Arabs: How Hollywood Vilifies a People
Título no Brasil: Filmes Ruins, Árabes Malvados
Ano de lançamento: 2006
Direção: Jeremy Earp e Sut Jhally


Um comentário:

  1. Bela análise Marcel. Sempre combinando inteligência no sentido emocional e crítico, só tenho a elogiar.
    Este é o tipo do documentário que deveria ser mais disseminado e debatido, pois verifico em diversos ambientes de discussão e mesmo fora deles a tendência a homogeneizar ou desqualificar o outro, o desconhecido, aquele que sequer estabelecemos relações com medo de nos identificarmos.
    Parabéns novamente!

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